domingo, 14 de agosto de 2011

RIO VERMELHO (poema de Cora Coralina)

Rio Vermelho e casa de Cora Coralina, em Goiás Velho (GO) / Fonte: Google Imagens.

Rio Vermelho das janelas da casa velha da Ponte...
Rio que se afunda debaixo das pontes
Que se reparte nas pedras
Que se alarga nos remansos.

Rio, vidraça do céu, das nuvens e das estrelas.

Rio de águas velhas
Roladas das enxurradas.

Rio do princípio do mundo
Rio da contagem das eras.

Rio Vermelho – meu rio
Rio que atravessei um dia (altas horas, mortas horas)
há cem anos...
Em busca do meu destino
Da janela da casa velha, todo dia, de manhã, tomo a bênção do rio:
– "Rio Vermelho, meu avozinho, dá sua bença pra mim..."



Cora Coralina / Fonte: Google Imagens.

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